Voltei a fotografar sem saber muito bem o porquê. Ou talvez soubesse, mas não conseguisse nomear ou ver um sentido nisso ainda. 
Depois de cinco anos com a câmera guardada, saí para fotografar lugares familiares, cotidianos. O que estava ali o tempo todo e eu não "olhava".
O que encontrei não foram os lugares. Foi a distância entre mim e eles. As pessoas que não olham para a câmera. Os espaços entre um e outro.
O banco que guarda uma memória que a foto não explica. A procissão que passa e o ônibus que não para.
A cidade que de longe vira apenas uma faixa de luz no escuro.
Fui percebendo que não estava fotografando lugares. Estava fotografando o que resta quando voltamos a ver — e só a imagem fica.
A foto é o que resta.
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