Caminhei por aí. Passei por essas pessoas. 
Na maioria das vezes, não falei com elas. Não pedi. Fotografei o que vi, apenas observando — a mulher que carregava alguma coisa,
a criança que olhava, o mercado que não parava. Fui um estranho com uma câmera.
Há fotografias aqui que custaram uma palavra. Uma troca. Uma pergunta. Um sim.
Há outras em que fui descoberto — um olhar acidental, uma surpresa registrada sem querer.
E há as que nunca souberam.
Não sei o que cada uma dessas pessoas faziam, pensavam ou sentiam.
Sei que estavam lá — no mercado, na estrada, na procissão — que continuaram depois que fui embora,
e que o que resta é isso: o recorte do instante em que nossos mundos se cruzaram.

E como será que todas essas pessoas estão hoje?
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