Na noite do dia 27 de agosto de 2026, a lua teve entre 93% e 97% de sua superfície encoberta pela sombra da Terra. O tempo em minha região estava limpo e consegui fotografar a totalidade do eclipse.
Mais do que pensar nas questões técnicas da captura, fiquei pensando no que esse fenômeno representava para civilizações que não tinham o conhecimento científico que temos hoje.
Para os incas, o eclipse lunar era um ataque de um jaguar cósmico (ou de uma serpente) devorando a deusa Lua, Mama Quilla. A cor avermelhada era interpretada como o sangue da deusa ferida. Os incas temiam que, se o jaguar terminasse de comer a Lua, a criatura desceria à Terra e causaria a escuridão total e o fim da humanidade. Garcilaso de la Vega, nos Comentarios Reales, descreveu o povo saindo às ruas tocando instrumentos, batendo tambores e gritando para espantar o animal celestial.
Hoje sabemos o que é um eclipse. A sombra tem explicação, tem duração e tem fim. O que muda é a representação que cada época — e cada um de nós — dá para o fenômeno. Individualmente, cada um tem seu eclipse, com sua porcentagem de sombra. Cabe a cada um tocar um instrumento, bater tambor ou fazer qualquer outra coisa para espantá-la que no final ela volta a brilhar.
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